Amor e Apego: sinônimos ou antônimos?

(Tirinha do fantástico André Dahmer)

É muito comum confundirmos amor e apego (ou dependência, como preferir). Acreditamos que se alguém depende de nós (ou dependemos de alguém), é porque estamos profundamente apaixonados, amando profundamente nosso cônjuge. “Preciso tanto dele(a), me faz tão feliz” ou “Sem você não sou ninguém”.

Será mesmo? Será que amor é sinônimo de dependência?

Quando dependemos ou estamos apegados a alguém, acreditamos que nossa felicidade depende da relação estabelecida, ou seja, de algo externo. Assim, nossa atenção está automaticamente no outro: o que o outro está pensando, o que o outro faz, com quem o outro se relaciona, o que o outro sente e faz por mim e para mim.

Afinal, a minha felicidade está nas mãos dele.

(Fico na dúvida se, nesse contexto, estou amando o outro ou a mim mesma.)

E quando estou numa relação de dependência, a liberdade do outro pode incomodar. Como amar alguém se não consigo deixá-lo livre para ser quem realmente é?

Para ilustrar a situação, vou usar como exemplo uma relação amorosa entre mãe e filha. Imagine que a filha tem 20 anos, está fazendo faculdade, e consegue uma bolsa incrível para estudar durante dois anos na Europa, que sempre foi o sonho dela.

Como uma mãe que ama sua filha reagiria?

Como uma mãe apegada a sua filha reagiria?

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Percebem a diferença?

Enquanto uma mãe vibra com a conquista da filha, e embora saiba que vai morrer de saudade e terá que aprender a mexer no skype, ela fará de tudo para ver a filha realizando seus sonhos, preparando-a, resolvendo problemas, apostando no seu potencial. Já a mãe apegada pode encarar essa situação como um risco…. um risco ao seu próprio bem estar. Então podemos observar o início de uma séria de colocações negativas dessa mãe, tentando boicotar a viagem, com comentários do tipo:

– Mas Europa? Você vai morrer de frio lá..

– Você mal sabe falar inglês..

– Tem certeza que você quer passar dois anos longe? Vai saber se virar sozinha?

– Ouvi dizer que tem cada terrorista na europa.. e ainda tem tantos países em crise, será que é uma boa você ir pra lá?

– Sabe o Marquinho? Primo do tio da cunhada da vizinha? Também ganhou uma dessas bolsas aí e foi a maior furada.. Passou fome e tudo o coitadinho

Esse exemplo pode ser utilizado para relações entre amigos e também para relações afetivas. Usei o exemplo familiar pois facilmente as pessoas identificam que é preciso deixar com que a pessoa faça o que acredita, siga seus sonhos….. mas quando nos voltamos aos relacionamentos afetivos, muitas vezes essa lógica cai por terra.

É preciso deixar claro que estar com uma pessoa porque você quer estar com ela é completamente diferente de estar com alguém porque você precisa dela.

E quanto mais livre a pessoa amada for, e mais genuíno e espontâneo você puder ser, mais autêntica e segura será a relação entre vocês dois.

Pois ambos estarão construindo uma relação baseada em crenças, atitudes e comportamentos de segurança, felicidade, respeito e individualidade-a-dois.

Uma relação baseada no apego tem como alicerce crenças relacionadas a insegurança, falta de auto estima, dependência, barganha e chantagem.

Que tipo de frutos você acha que cada relação dará?

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I see your true colors

Retirado do Blog do Orlandeli (vale a pena visitar)

Quantas vezes, em nome do amor, você não acaba tirando as cores tão vivas e livres de alguém?

Quantas vezes, em nome de algo que você acredita ser amor, você não se deixa aprisionar, percebendo aos poucos que está ficando cinza, desbotado… morto?

Que tipo de crença te leva a aprisionar alguém?

Vale a pena?