Com vocês, um especialista no assunto!

Gosto muito do Christian Barbosa. O livro dele sobre gestão do tempo é, de longe, o melhor que já li na área.

Gostaria de compartilhar uma palestra dele que está altamente alinhada com o nosso tema: procrastinação.

Afinal, porquê simplesmente não fazemos o que devemos fazer?

Como criar uma rotina em que eu consiga viver uma vida equilibrada e ao mesmo tempo produzir resultados?

Como saber se, de fato, sou uma pessoa produtiva (e não apenas imensamente ocupada?)

Reserve uns minutinhos do seu dia e reflita.

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Sou um procrastinador?

Depois do meu último post, recebi uma série de mensagens e e-mails de pessoas ora se identificando com o perfil descrito, ora apontando outros problemas que não se encaixavam muito bem no que haviam lido. Sendo assim, achei conveniente fazer uma pequena pausa para repensarmos: é a procrastinação o  real problema? ?

Optar por fazer alguma atividade um outro horário, ou mesmo em cima da hora, sem que isso prejudique seu desempenho, seu estado emocional, muito menos impeça que você cumpra com o que se comprometeu não é procrastinação: é controle sobre a própria agenda. E toda agenda deve conseguir lidar com imprevistos e mudanças. Se esse for o seu caso, esses posts não são para você.

Um outro perfil comum é da pessoa que não procrastina, que se mantém ocupada, aliás, se mantém tão ocupada o dia inteiro com tantas coisas diferentes que ao final do expediente questiona o que de fato produziu. Nesse aspecto, ter um dia ocupado é bem diferente de ter um dia produtivo. Geralmente a dificuldade aqui está em estabelecer prioridades e organizar melhor o tempo, não é uma questão de procrastinação.

A procrastinação aqui abordada refere-se a um comportamento repetitivo, padronizado, de se esquivar do que precisa ser feito, e como resultado a pessoa se torna menos produtiva, não consegue colocar suas metas em dia, e consequentemente a sua qualidade de vida acaba decaindo.

No livreto “Caderno de exercícios para aumentar a auto estima”,  Rosette Poletti e Barbara Dobb dão várias dicas para desenvolver a auto estima. Um dos pontos interessantes é a relação que elas fazem do processo de procrastinação com um rebaixamento da auto estima (quanto menos eu faço pior eu me sinto, quanto pior eu me sinto, menos eu faço). Para ajudar o leitor a identificar se ele é ou não um procrastinador, elas oferecem um pequeno “teste” que avalia se você tem ou não tendências para deixar para amanhã o que você deveria ter feito mês passado.

Vou compartilhar o teste com vocês. Assinalem (mentalmente) a alternativa que melhor corresponde com o que você sente ou faz. Depois somem os pontos, usando como referência: Nem um pouco = 0 / Às vezes = 1 / Com moderação = 2 / Muito = 3.

Vamos lá?

1) Com frequência penso comigo mesmo(a) que só vou fazer tal coisa quando tiver vontade.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

2) Irrito-me quando as coisas se mostram difíceis.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

3) Adio os prazos quando não estou com vontade de trabalhar.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

4) Prefiro nada fazer a fracassar.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

5) Sou muito crítico(a) em relação a tudo o que faço.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

6) Nunco fico orgulhoso(a) dos meus resultados.

(   ) Nunca            (   ) Às vezes            (   ) Com frequência            (   ) Sempre

7) Temo não obter sucesso.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

8) Sinto-me culpado(a) quando penso em tudo o que deveria fazer!

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

10) Detesto as pessoas que tentam me controlar e me dizer o que devo fazer.

(   ) Nem um pouco            (   ) Às vezes            (   ) Com moderação            (   ) Muito

 

Mais de 18 pontos? Ganhou o título de procrastinador!

Mas não respire aliviado se você pontuou 17 pontos! Com certeza você deve apresentar dificuldades em cumprir com as atividades que são importantes para você.

Reparem como o teste não aborda apenas a questão da produtividade, mas suas crenças e ideias sobre processos e resultados.

Esse será o foco do próximo post!

Até lá!

Como lidar com a procrastinação?


procrastinar2Depois eu faço…

Daqui a pouco eu dou um jeito…

Só mais alguns minutos..

Um dia a gente marca…

Não tenho cabeça para isso agora…

Agora não dá…

Depois eu consigo fazer melhor..

Depois eu penso..

Amanhã eu vejo isso..

No final da semana eu resolvo..

Mês que vem sem falta!

Opa! Meta do ano novo!

É, agora não dá mesmo.. mas depois eu faço com certeza!

 

 

 

procrastinar3_clockOh  droga!  Não vai dar tempo!

Porque deixo tudo para última hora?

Não vou dar conta de todos esses relatórios!

Não vou conseguir ler todos os textos.

Vou ter que ficar até de madrugada estudando.

Essa semana eu não durmo.

Como fui esquecer o aniversário da Carlinha?

Não tenho   tempo para sair .

Não tenho tempo para fazer esse curso.

Não tenho tempo para fazer academia.

Não tenho tempo.

Overworked businessman.

Putz, não consigo fazer nada direito..

Minha vida não anda..

Não consigo emagrecer..

Não consigo colocar a leitura em dia..

Eu devo ser muito incompetente mesmo..

Afff… que saco.. tudo é muito chato!

Nossa, que relatório lixo, poderia ter feito melhor..

Nah, melhor não fazer nada do que fazer mal feito..

Nah, melhor não fazer nada do que fazer pouco.

Nah, eu não queria uma promoção mesmo… 

Nossa, não consigo tempo para ficar com meus filhos.

Não consigo me organizar.

Nada dá certo.

Não sei fazer nada direito.

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Bem vindos ao ciclo da procrastinação, a arte de deixar tudo para última hora, de  não fazer nem metade do que tinha se proposto.  De não conseguir cumprir as próprias metas e ficar se esquivando daquilo que você sabe que precisa ser feito. Quem nunca procrastinou, que atire a primeira pedra! (depois de atualizar o status no face, claro)

Enrolar-se de vez em quando no meio das próprias obrigações e demandas é algo natural, mas e quando esse comportamento se torna crônico? E quando você percebe que está deixando coisas importantes de lado por ficar horas se dedicando a atividades improdutivas e que no final do dia não agregaram praticamente nada a você?

Já fui vítima desse ciclo. Percebo amigos, pacientes e colegas no meio dessa estagnação, com dificuldade para sair. É algo cada vez mais frequente e muito, muito pernicioso.. Afeta não só a sua produtividade mas, principalmente, sua auto estima.

Para mudar esse ciclo, vou sugerir algumas práticas e reflexões, em posts separados, para dar tempo de você – de fato fazer alguns exercícios, compartilhar algumas ideias e manter, aos poucos, uma rotina mais produtiva.

Para começar, dois pontos importantes:

a) de que forma a procrastinação, realmente, te atrapalha?

b) em que momentos você começa a deixar para depois?

Que tal três dias para vocês irem pensando, anotando, refletindo, procrastinando, voltando a anotar e, se possível, compartilhar?  😉

É importante avaliar de que forma esse ciclo tão comum te atinge de forma particular, para que a gente consiga quebrar o ciclo.

Sexta-feira eu volto! Até lá!

Relato de sessão: competência ou incompetência?

É muito comum me deparar na prática clínica com inúmeros pensamentos automáticos negativos relacionados a competência. Na última semana tive uma sessão muito interessante com um paciente (que me autorizou compartilhar aqui o nosso encontro) que se sentia incapaz toda vez que não conseguia dar uma resposta quando lhe solicitavam alguma informação em seu novo emprego. Ele logo acreditava, de forma automática, claro, que sua falta de conhecimento nas situações específicas eram uma prova de sua incompetência profissional. idiota

Trabalhamos em dois grandes eixos: o conceito de competência e a possibilidade de encontrarmos outras explicações válidas para o fato dele não saber responder alguma pergunta no novo cargo recentemente assumido.

Afinal, o que é competência?

Costumamos pensar que competência é um estado de excelência, um lugar a ser alcançado e mantido. Alguns acabam acreditando que é um estado praticamente inato, a pessoa “nasce” competente. Outros avaliam que é necessário desenvolvê-la, mas ainda acreditam que é um lugar a ser alcançado, estanque, delimitado. E o mais importante: ou você é competente, ou você é incompetente.

Temos aqui uma visão 8 ou 80, dicotômica, maniqueísta da questão: ou alguém é 100% competente em suas ações, ou é incompetente. Não tem meio termo: é ou não é.

Vocês conseguem avaliar o perigo dessa definição?

Se eu defino competência como um substantivo (é ou não é), toda vez que me deparar com alguma fraqueza, dúvida ou até mesmo um erro, eu logo vou me definir como sendo intrinsecamente incompetente. Meu ânimo vai diminuir. Posso ficar  desmotivado, tristonho ou muito ansioso. Com esse tipo de emoção, meu desempenho geralmente é prejudicado, confirmando assim a crença inicial: sou incompetente! Entramos em um círculo vicioso difícil de sair, se não reavaliarmos como estamos definindo “competência”.

Ser competente não é ser perfeito, no sentido utópico da palavra.

Pense em alguém que você considera extremamente habilidoso no que faz, alguém realmente competente. Essa pessoa nunca erra? Não tem momentos de dúvida? Nunca tomou uma atitude na qual se arrependeu depois?

É claro que sim.

Mas, mesmo assim, você continua qualificando-a como competente. Porquê?

Como diria esse mesmo paciente, no final da sessão: Hmmm… agora entendo que competência é um processo!

Sim, um processo. É a própria caminhada, não o estado final, bruto. Competência está nas atitudes que você toma no dia a dia.

Caiu? Se tiver que tomar uma atitude competente, o que você faria?

Caiu? Se tiver que tomar uma atitude competente, o que você faria?

Ser competente não te torna invulnerável a erros e tropeços. Não fará com que todas as portas se abram magicamente no mundo. Ser competente é um conjunto de atitudes demonstradas diante dos acertos e dos fracassos, pois compreende-se que esse é o processo inerentemente humano.

Portanto, ao se deparar com uma situação de vulnerabilidade, pense: o que seria uma atitude competente nessa situação? O que seria uma atitude que gera incompetência? A partir dessa reflexão, você poderá tomar uma decisão mais confiante e tranquila. E crescer com isso.

 

Ah, e o paciente? 

Ele conseguiu gerar umas 5 explicações alternativas – e mais “realistas” à situação que ativou todos esses pensamentos, e tem como tarefa de casa avaliar situações que demonstrem atitudes de competência. Saiu mais motivado para enfrentar o trabalho, acreditando que é possível sim que ele seja mais competente do que estava achando. 

Mantendo as resoluções para o novo ano

Image

Resoluções de ano novo são decisões que tomamos, tendo como base, geralmente, o que não andou funcionando nos últimos tempos e aquelas suas metas esquecidas, engolidas pelo monstro do dia a dia, que costuma se alimentar de sonhos alheios.

Geralmente as resoluções são elaboradas com entusiasmo, na esperança de que possamos manifestar nos próximos meses a versão melhorada de nós mesmos.

Mas logo aparece o monstro do cotidiano e a nossa nova lista vai ficando para trás…

Depois eu vejo isso”

“Estou sem tempo”

“Ah, não consigo mudar mesmo, bobagem insistir”

“Nem era tão importante”

“Dá muito trabalho”

Esses pensamentos lhe são familiares?

De-cisão.

Cindir. Separar. Cortar. Divergir.

Sempre que decidimos por algo, deixamos outro algo para trás. Escolher significa abdicar. 

Se você escolhe emagrecer, você precisa abdicar de um estilo de vida mais relaxado.

Se você escolhe progredir na carreira, precisa abdicar das saídas de todos os finais de semana.

Se você escolhe sair de casa, precisa abdicar do conforto de morar com os pais.

E é justamente quando a gente se depara com aquilo que precisamos deixar para trás..

   velhos hábitos

                        velhas desculpas

                               velhas crenças

                                         velhos rancores

                                              velhas irritações

… que nos defrontamos com nossa grande encruzilhada: qual caminho escolher?

É sempre uma questão de escolha.

O que você anda escolhendo para você? Você recomendaria a seu melhor amigo as escolhas que está fazendo? Elas refletem o que há de melhor em você?

Quando você for repensar as suas metas para esse ano, pense nas implicações de cada de-cisão. Reforce porque vale a pena. Enfrente o luto de deixar uma parte de você para trás.

A evolução pessoal exige isso.

Por que não experimentar?

Ano novo – Vida nova – Blog novo

anonovo

Adoro ano novo.

Entro, mentalmente, no clima de recomeçar.

Fazer um balanço do que se passou é válido quando, ao invés de ruminar os erros cometidos, os amigos perdidos ou alguns sonhos esquecidos, você resolve sacudir a poeira da estagnação, revendo prioridades, jogando coisa fora para poder dar espaço ao novo.

Só assim é possível começar a construir uma vida nova.

E se queremos uma vida nova, precisamos de novas atitudes, porque não conquistaremos nada diferente fazendo sempre as mesmas coisas.

Percebi, no ano de 2012, que grandes diferenças são feitas com lições muito simples, quase óbvias.

É óbvio que eu não consigo colocar mais água em um copo que já está cheio.

É óbvio que eu não vou mudar o meu comportamento se continuar pensando as mesmas desculpas.

É óbvio que eu não vou gerar movimento se continuar parada.

E na desconstrução do que não me servia mais, abro espaço para o que eu realmente considero importante. E entre as prioridades, o meu blog.

De cara nova. Com textos novos.

Pois, terapeuta cognitiva que sou, com uma nova forma de pensar o mundo.

Seja bem vindo, 2013. Que suas energias de renovação persistam, e que eu honre cada meta que brota do que há de melhor em mim.

 

 

A ética do psicólogo

No último final de semana ministrei uma oficina em um colégio particular em São Paulo, a convite da minha grande amiga Paula Napolitano (também psicóloga e terapeuta sexual). Foi organizado um fórum de profissões, onde alunos do Ensino Fundamental II e Ensino Médio tinham a possibilidade de assistir palestras e oficinas sobre as mais diversas profissões. E eu, claro, fui falar sobre psicologia.

Durante minha apresentação, um dos alunos fez uma pergunta interessante: “Nina, o que seria a ética de um psicólogo?”

E a pergunta do jovem rapaz me fez pensar. E gostaria de compartilhar minhas reflexões com vocês.

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Em uma primeira análise mais pragmática (e talvez mais superficial) da questão, podemos avaliar o próprio Manual de Ética sugerido pelo Conselho Federal de Psicologia, onde uma série de normas e condutas são descritas, a fim de normatizar uma base regular da postura desse profissional em suas diversas áreas de atuação. O que podemos redigir em um laudo, como fazer esse laudo, obrigações básicas do psicólogo (como registrar, por escrito, toda e qualquer atuação profissional), uma série de normas sobre como fazer seu marketing profissional, etc.

Um ponto importante e que geralmente causa curiosidade é a questão de sigilo. Sim, é de responsabilidade do psicólogo manter sigilo do que lhe é confessado, bem como das avaliações e conclusões feitas. Porém, em situações onde a vida do paciente ou de outra pessoa corre perigo, esse sigilo pode (e deve) ser quebrado.

Por exemplo, se o meu paciente com ideação suicida está em sério risco de cometer uma tentativa de suicídio, eu deixo claro que entrarei em contato com algum parente ou responsável, bem como com uma clínica médica solicitando uma intervenção. O paciente é avisado sobre a quebra, evitando “ser pego de surpresa”. É uma situação delicada, mas a prática de um bom profissional sempre está permeada por questões delicadas. Eu ousaria dizer que essas são as menos difíceis!

A ética do psicólogo, em um sentido mais amplo, está na postura norteadora da sua prática no dia a dia, principalmente no que tange o respeito pelo condição humana e a suspensão do julgamento.

Não me refiro a suspensão de empatia, de envolvimento ou interesse, mas sim, de julgamento. No setting terapêutico, o ser humano traz consigo toda a sua “humanidade”, e não cabe a mim, criada no valor x com crenças y e preferências construir um juízo de valor sobre a bagagem, crenças e preferências de outrem. A não ser, claro, que as preferências construídas (de forma muitas vezes distorcidas) denote risco à integridade do mesmo (como no caso de uma colega cuja paciente trazia como meta aprender a apanhar do marido).

Ouvir, acolher, respeitar, compreender, atuar, resolver, aliviar.

A condução do processo é perpassada por questões éticas a cada minuto. Estudar o caso do paciente, dedicar horas extras, pedir ajuda quando você percebe que suas ferramentas não estão sendo suficientes, não fazer pouco caso, enfim, a forma como você constrói sua carreira e manifesta isso na sua prática clínica é a própria ética do psicológo.

Nem sempre doce, mas buscando sempre ser harmônica.