Expectativas X Evidências: quem vence essa luta em você?

Toda sessão em Terapia Cognitiva costuma encerrar com um feedback fornecido pelo paciente para o terapeuta sobre o encontro: o que foi mais produtivo, se algo importante foi deixado de lado e se algo na sessão o deixou incomodado (e que possa ser melhorado na próxima semana).

É comum também que o paciente relate o que ficou daquela sessão, qual o “aprendizado” do dia. E há poucas semanas um dos meus pacientes me deu um feedback muito interessante:

– Hoje aprendi que devo me basear muito mais nas evidências do que nas expectativas. Percebi que o contrário geralmente me leva para as más escolhas...

Além da satisfação pessoal em ouvir tão sábio retorno do meu paciente, afinal, ele resumiu em uma frase um dos conceitos chaves do processo cognitivo, me forneceu também alguns momentos de reflexão pós-sessão para aprofundar o sentido dessa frase (e avaliar como ela se aplica em diversos âmbitos da nossa vida).

Ahhh, se me lembrasse das evidências, comeria muito menos junk food!

O que são expectativas?

São pensamentos, ideias, crenças que nos dizem como as coisas devem ser. Como as situações devem ocorrer, como os outros devem se comportar, como eu acredito que deveria agir.

São construídas de acordo com as regras que recebemos desde criança, que observamos na nossa família, escola, amigos e mídia. Aliás, a mídia está cheia de regras explícitas e implícitas sobre como as coisas devem ser (alta, magra, branca, loira, bem sucedida, carro do ano, dentes brancos, casada, dois filhos, gosto de fazer compras e ler Veja), e me pergunto se todas essas regras de fato tem alguma base na nossa realidade bem humana do dia a dia.

As expectativas têm como base os compromissos que assumimos com nossa mente, e projetamos todas essas crenças nas pessoas, objetos e situações. Se eu assumi um compromisso, tendo como base experiências com meus pais de perfeccionismo e exigência, é provável que eu projete essa mesma cobrança nos outros, não tolerando defeitos, falhas ou fraquezas.

Esse é um bom exemplo de como uma expectativa que tenho sobre o meu comportamento e o comportamento dos outros tem como base preceitos irreais e influencia diretamente as minhas relações, provavelmente complicando-as.

Agora, se eu tivesse como parâmetro a “realidade”, evidências de como somos e do potencial que temos, como agiria? Provavelmente lembrando que faz parte do processo acertar e errar, que sem a queda eu não tenho como crescer, que todo e qualquer ser vivo tem suas fraquezas e seus pontos fortes. Pensando assim, me tornaria mais flexível, sofreria menos e conduziria melhor as minhas relações.

Você consegue identificar se está conduzindo sua vida através de expectativas ou através de evidências?

Uma dica: toda vez que você se frustra ou se decepciona com alguém, é porque alguma expectativa sua não foi atingida. Como flexibilizar esse processo, mantendo um otimismo realista mas não entrando em devaneios de regras não aplicáveis?

Contextualize. Coloque as situações em perspectiva. Veja por diversos ângulos. Flexibilize a autocrítica.

Não é um exercício fácil………………… mas não seria ainda mais difícil a prisão das expectativas rígidas?

 

 

 

 

 

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