Tenho que estudar tudo!

Eu havia prometido para um ex aluno meu de orientação profissional que o meu próximo post seria destinado a ele, em função de uma dúvida e uma angústia que ele compartilhou comigo e percebo cada vez mais recorrente entre adolescentes, vestibulandos e até mesmo universitários em geral.

A ideia de que precisam estudar tudo, e a angústia que isso causa.

É claro que a quantidade de matéria a ser estudada para um vestibular, uma prova de concurso, ou uma monografia de conclusão de curso tende ao infinito. Enquanto que, para uma prova específica da escola ou da faculdade você precisa estudar páginas ou capítulos específicos, para o vestibular, por exemplo, você precisa dominar “Biologia“, e não os capítulos 7 e 8 do livro dois.

O problema está em como a gente organiza e PENSA, a nossa rotina/meta/hábito de estudo, ali, no dia a dia, naquela terça friorenta em que você está em casa, o MSN e o face te seduzindo e você pensa, no auge de determinação, responsabilidade e luz cósmica que invade sua consciência:

Eu vou estudar!

E você se dirige à sua mesa, olha aquela montanha de livros, apostilas e rabiscos no caderno e não sabe por onde começar. Pega a matéria que teve no dia, ou uma apostila aleatória, começa a ler, e vai ficando angustiado. Não vai dar tempo!! É muita coisa! Tenho que estudar tudo!

Você passa algumas horas estudando e capota, com uma sensação de derrota, afinal, não conseguiu o que precisava, que era estudar tudo.

Percebem como é impossível sair satisfeito quando a meta é algo inatingível?

Estudar tudo? Tudo o quê? Quanto é tudo? Quantas horas por dia você tem, de verdade, para estudar? Quatro horas? Dá para estudar TUDO de qualquer coisa em quatro horas?

Aliás… dá pra estudar tudo de alguma coisa em uma vida?? 😉

Cuidado com as armadilhas da nossa mente, afinal, o cérebro responde à palavra.

A sensação de derrota e angústia vão continuar te perseguindo enquanto a sua meta for algo impossível, impraticável, e sem formas de avaliar o quanto você está caminhando… afinal, se preciso estudar tudo, quando é que você vai sentir o gostinho do “terminei”?

Insisto: elabore um roteiro de estudo. Faça algum planejamento, um que se encaixe na sua realidade e no seu perfil. Já postei algumas dicas nesse blog, mas existem outras tantas formas de estudar! O importante é se organizar e colocar metas realistas, simples e mensuráveis. Diga a você mesmo: hoje vou estudar o capítulo 11 e 12, e fazer os exercícios da atividade 15. Pronto! Você já tem o que fazer, no que se aprofundar, e tem hora certa para encerrar sua atividade.

Sabe o gostinho que dá?

De competência e eficiência.

E isso sim é um dos melhores estimulantes para o estudo. 😉

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3 comentários sobre “Tenho que estudar tudo!

  1. Samara disse:

    Excelentes dicas. Eu vivi essa frustração recentemente ao tentar estudar pra um concurso de psicologia…cada matéria se subdividia em outras 5 no mínimo…:(

  2. Livio disse:

    Entre tantos erros de estratégia, também há dois problemas que inferiorizam o estudante, frente ao seu imenso trabalho:

    – O primeiro, é procurar exageradamente, por dirigir o trabalho no sentido de assimilação (leitura) ao invés do sentido de síntese (compreensão, capacidade de elaborar o que já se estudou).

    Ler o mesmo capítulo silenciosamente, já não vai fazer diferença, a partir da terceira ou quarta vez, acaso não tenha entendido.

    Antes, é preciso garantir que tenha realmente havido compreensão sobre o que se está estudando. Isto pode se fazer com pequenos resumos (e é por isso que colar aumenta a nota, mesmo que não se consiga acesso à cola), com uma lista de perguntas-chave para cada sub-tema.
    Mas acima de tudo, é preciso que se garanta que o estudante tenha a capacidade de responder às questões mais importantes do assunto.
    Isto pode se dar com um “simulado” onde se respondam por escrito, o questionário SEM ESPIAR na matéria, durante o processo de estudo, ou mais rapidamente, através de uma AULA EXPOSITIVA EM VOZ ALTA, também SEM ESPIAR, respondendo em alto som, cada pergunta elaborada.
    Neste processo, vai ficar escandalosamente claro, cada pequeno trecho de dúvida, ou cada pequena lacuna escondida entre dois parágrafos, que originam os famosos “brancos” nas provas (mas eu havia estudado tanto… como pude esquecer… mimimi….). A voz alta nos incapacita de “tergiversar” ou inventar desculpas para essas lacunas, coisa que acontece 3×4 quando estudamos calados, pois somos exageradamente auto-indulgentes.

    Compreensão verdadeira, além da digestão, no traz a capacidade de se sintetizar o que foi estudado, com nossas próprias palavras.

    – O segundo, é se ignorar o impacto que nosso emocional tem perante essas questões. Sentimentos de inferioridade, de incapacidade, ou mesmo de ódio e nojo frente a determinadas ações (estudar matemática, química como diria o Renato Russo…) ou mesmo a antipatias automáticas a certos assuntos ou professores.

    A própria palavra “estudar”, garanto, causa arrepios em muita gente.

    Portanto, como você mesmo já coloca, não se “estuda” pura e simplesmente, mas sim, estabelecemos metas, ações objetivas com início meio e fim, com clareza e sentimento de finalidade.

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