Medo elevado a quinta potência: Síndrome do Pânico

Preocupação.

Angústia.

Ansiedade constante.

Dificuldade de relaxar, comportamento mais atento, vigilante. Afinal, algo ruim pode acontecer e eu preciso estar preparado. Mas… e se eu não conseguir?

Essa é a condição básica na qual a maioria dos pacientes com pânico se encontram. A base “normal” já é caracterizada em um nível alto de ativação, de pré-ocupação, de dificuldade de relaxar.

Até que um dia, “do nada”, algo acontece.

 

AR! Preciso de AR!…. não consigo respirar direito…………e meu coração?? porque está assim disparado?? Meu deus, minhas mãos estão tremendo… não consigo me manter em pé, está tudo tenso, tremendo, não consigo controlar, eu devo estar morrendo, socorro! AR!! Olha como estou suando! Será que estou tendo um ataque cardíaco? Meu peito dói! Porque as pessoas me olham desse jeito? Arrff arff… AR!!!

Esse conjunto de sintomas, acontecendo repentinamente, é uma vivência muito, muito desagradável, e dura cerca de 15 minutos (para algumas pessoas um pouco mais, para outras um pouco menos).

As vezes a tensão muscular é tão grande que a pessoa pode vir a ter espasmos, ou até mesmo se contorcer inteira, como se estivesse com uma cãimbra generalizada. E após um ataque, é possível sentir desde um alívio intenso até dores musculares fortes, como se tivesse feito 5hs de exercício físico, sem parar!

E é nesse momento que começa uma verdadeira sabatina:

Cardiologista

Endocrinologista

Neurologista

Clínico Geral

Outro cardiologista

Exames para avaliar a possibilidade de câncer………. pneumonia…. trambose…

Até que finalmente algum médico sugere que você busque um psiquiatra ou um psicólogo, pois não há nenhuma causa “física” desses sintomas. Na verdade, sua saúde está ótima.

Aqui, você tem duas opções: ou acha isso tudo um absurdo (recomece a rodada desde o início) ou se rende e busca um profissional psi.

E, diante de um bom psi (psi-quiatra ou psi-cólogo), você descobre que tem esse negócio aí, o tal do “pânico”.

A Síndrome do Pânico é um transtorno de ansiedade. Medicamentos auxiliam, mas não conseguem, em geral, resolver o problema, pois estes não mudam a forma com que o paciente está processando as informações do ambiente.

Se lembrarmos do que escrevi lááá no início desse post, uma pessoa que tem Síndrome do Pânico é alguém que já apresentava uma certa ansiedade antes dos ataques. E quando estamos ansiosos (com medo, receio), ficamos mais vigilantes a tudo que está ao nosso redor.

Vou dar um exemplo:

Não importa se você mora em casa, ou em apartamento, você sempre ouve uma série de barulhos estranhos, estalos, engrenagens, e na maioria das vezes, nem liga.

Até o dia que você resolve assistir, sei lá, algo light como O Exorcista, à meia noite.

AHHH!!

Bem, não sei quanto a vocês, mas esse filme – até hoje – me dá muito medo.

Terminado o filme, alta madrugada, você não está do mesmo jeito. Está um tiquin angustiado (no meu caso, MUITO angustiada). Acaba verificando duas vezes se trancou a porta, corre pro quarto e se cobre totalmente com seu cobertor (como uma arma mágica protetora). E, se um alfinete cai no chão do andar de cima, você escuta, e se bobear, seu coração vem à boca!!!

Quando estamos ansiosos, estamos mais vigilantes, mais atentos a qualquer sinal de perigo – real ou imaginário. E esse é o ponto crucial do pânico: qualquer alteração fisiológica tende a ser interpretada como um indício de que você VAI passar mal, que poderá perder o controle ou até mesmo morrer!

Nosso corpo altera funções fisiológicas o tempo todo. Andou um pouco mais rápido? Seu coração baterá mais rápido. Está um pouco sonolento? Vai bocejar com mais frequência, e as vezes é díficil inspirar todo o ar que você gostaria. Ingeriu mais cafeína do que o normal? Pequenos tremores poderão acontecer.

Mas, se você está vigilante, qualquer sinal de mudança será interpretado como algo “ruim”, ou “perigoso”. Sua mente liga e dispara: O que está acontecendo? E se eu passar mal?

Bem, se eu penso que algo ruim vai acontecer, automaticamente meu corpo fica ativado – é uma lei natural, compartihada com a maioria dos animais que possuem sistema nervoso central. E corpo ativado = corpo cheio de adrenalina = coração batendo mais rápido, musculatura um pouco mais tensa, suor.

E diante dessa nova alteração, sua mente conclui: Meu deus, eu ESTOU tendo um ataque, eu ESTOU mal!

Cérebro recebe essa informação e produz ainda mais adrenalina, e você entra em um círculo vicioso infernal.

Como parar isso?

Parando o primeiro elo da cadeia.

E como eu faço isso?

Com um bom terapeuta. De preferência, cognitivo-comportamental.

Acredite: tem cura, e não é tão complicado como se imagina.

Afinal, ninguém nasce tão ansioso. Aprendemos isso. E se aprendemos a ser ansiosos, também podemos aprender a ser mais tranquilos.

Pois você merece ser mais livre.

 

 

 

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4 comentários sobre “Medo elevado a quinta potência: Síndrome do Pânico

  1. Stephanie disse:

    Interessantíssimo.
    Não sou uma pessoa ansiosa como o extremo descrito no texto, mas já tive um episódio ou outro de “ataque de medo”, isso numa época em que nada me chateava. Gostei de ler o post porque traz uma visão bastante física.

  2. Camila disse:

    Olá Nina, adorei este post, estava algum tempo esperando por ele…eu sofria dessa síndrome, procurei psicólogo mas na metade parei, achei que estivesse “curada”… hoje vejo como não… e sofro muito com isso e decidi procurar ajuda novamente. Mas gostaria de fazer uma pergunta, então, um psicólogo com abordagem cognitivo-comportamental seria o melhor para tratar essa síndrome? Conheces um bom psicólogo em Florianópolis que eu possa procurar?

    Obrigada… Camila.

  3. Jacqueline disse:

    Eu tenho esse medo de morrer.Pois meu avô morreu de diabate e meu vizinho de infarto pois já sofria de alguma doença,tenho esse medo.É muito ruim,eu fico sozinha tenho ataque com pessoas me sinto protegida

    • Olá Jacqueline! Bem delicado o seu caso, imagino o quanto isso não te angustia…

      Você já pensou em procurar um (bom) profissional de saúde?

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