Desculpem o transtorno, mas há um cérebro em manutenção..

Prezados,

vamos relembrar nosso modelo de compreensão do mundo.

Melhor

Vamos relembrar o modelo que nos mostra como a nossa mente funciona

Melhor ainda

Vamos relembrar o modelo que explica como criamos nossa a realidade:

Diante das situações da vida, nossas reações são fruto de como pensamos. Do significado atribuído àquele acontecimento. Você vê aquilo que você acredita. Você percebe àquilo que estás disposto a perceber.

Não, a vida não é repleta de fatos. A vida é repleta de recortes. E é a sua tesoura mental que sai recortando e moldando a borda de acordo como sua mente está condicionada a fazer.

Ou, como diria Sartre: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.”

Ou ainda, Epictetus (pensador Grego – 50 – 130 A.C.) “As pessoas ficam perturbadas, não pelas coisas, mas pela imagem que formam delas.”

E eu me percebo perturbada, com uma série de imagens formadas. Assistidas. Com recortes que venho fazendo. Com situações que a vida vem me oferecendo:

“O que falta para esses alunos é surra. Aliás, a idade penal deveria descer para 12 anos. Tem criança que não adianta, tem a alma ruim mesmo.” (professor)

– Esses alunos não querem estudar porque são um bando de acomodados. Como seus pais podem pagar uma faculdade, nem tentam prestar para uma universidade pública.

– Mas, coordenadora.. veja, a maioria não sabe para o que quer prestar, estão muito angustiados, e morrem de medo de não passarem numa USP ou Unicamp da vida. E por isso essa desmotivação toda.

– Que nada! Bando de acomodado mesmo. (coordenadora educacional)

“O que eu acho positivo? Matar, roubar, sequestrar. Legal! Aqui quem manda é nóis, tá ligado? Mexeu com a gente, tá lascado.” (aluno 5a. série do E.F.)

Desconforto. Raiva. Tristeza. Essas são as minhas emoções decorrentes do seguinte pensamento: Está tudo errado!!!

E sofro. E oscilo entre comportamentos amorosos e agressivos.

“Mas Nina, o que é certo? O que é errado? Roubar é errado? Porquê? Por que é pecado? Deus não vai gostar? Que Deus? O que colocou aquele garoto nessa situação deplorável? E se você transformar o que é dado como “errado” em algo mais “positivo”? Será que não poderias intervir e dizer que, bem, se você roubar ou matar você pode ser preso, mas isso mostra que você tem coragem? Como ser corajoso de outra forma? Ele não se sentiria aceito e compreendido por você, e talvez pudesse refletir, a partir do ponto de vista dele, e não do seu, imposto? Diga um “defeito” seu?

– Indisciplinada.

– Criativa. Viu? Como você quer encarar suas características? Ela pode ser um defeito. Ou uma qualidade.” (Anarcoplayba)

***

Pensa. Sente. Reflete. Surta. Pensa de novo. Sente. Sorri.

***

E se eu, Nina, aceitasse todas essas falas como uma oportunidade de crescimento, de tentar fazer diferente, ao invés de ficar sofrendo, pensando que está tudo errado?

Não está tudo errado. Nem certo. Está apenas do jeito que está.

Cabe a mim decidir o que fazer.

E não quero ser rancor. Raiva. Insegurança.

Eu quero vibrar luz. Ser amor. Esperança.

Eu quero harmonia.

Então seja harmonia.

Desculpem o transtorno. Sei que o blog está há tempos sem atualizar. Mas há um cérebro em manutenção, para melhor atendê-los.

Até porque, para construir algo novo, é necessário tirar o aquilo que não serve mais.

E, suportar por um tempo, o vazio.

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12 comentários sobre “Desculpem o transtorno, mas há um cérebro em manutenção..

  1. Meu olho viu dor, quis ajudar pq via dor, ele estava dolorido. Então devo cuidar de mim antes de seguir.

    Será que a questão é dizer o que se quer ser?

    Dizer isso não seria procurar a verdade?

    Mas a moralidade não existe mais, certo e errado, como haveria a verdade? Como haveria encontrar em si a verdade?

    Será que a pergunta não é o que eu quero criar?

    Então agora eu pergunto: Sou artista? Sou cientista?

    Qual é a “verdade” aqui? A que eu quiser? A que eu criar?

    Estou livre.

    Saudades Nina.

  2. Certa vez uma professora adorável recomendou escolher o que se gostava, e uma das dicas para quem gostava de muitas coisas era ir excluindo o que fosse menos agradável até chegar ao preferível porque isso era o que mais queríamos. Eu acho que isso é arte. Também estou tentando.

  3. Porque é necessária a crença em juízos sintéticos a priori?

    Temos acesso a eles?

    Nossa boca… palavras.

    Definir “ser” algo parece se julgar moralmente. Uma moralidade que está no coração do pesquisador em função de algo que queira atingir.

    Vontade de poder… Um desgosto com determinadas coisas e afeição por outras não simboliza apenas vontade de criação? Condenaremo-nos ao que falamos como querer, e julgamo-nos como SER algo que envaidece uma idéia de pureza. Mas e quem disse que repudiar algumas coisas e preferir outras não é ser harmonia; a própria palavra já sugere esse equilíbrio de forças.

    • Wait. Confusão de conceitos e ideias.

      Harmonia é equilíbrio. Repúdio e harmonia são aspectos, ao meu ver, que não combinam.
      Não basta apenas ter vários instrumentos.
      Não basta apenas tocá-los a esmo.

      Harmonia tem a ver com sincronicidade.

      Definir ser e julgar-se moralmente são processos que podem andar juntos, mas não necessariamente.
      Quando você está realmente livre, cessa o julgamento moral. E você pode, se quiser, guiar-se por princípios.

      Gostos e desgostos não simbolizam vontade de criação. Gostos e desgostos referem-se ao que sua identidade/ser/essência/whatever se identifica – ou não. E isso vai mudando.
      É supérfluo. Se muda a crença – muda o gosto/desgosto.

      Vontade de criação é algo bem distinto. Mas aqui a gente entra em outro terreno pantanoso, pois vai depender da sua concepção de criação, bem como na crença do homem ser capaz / ou não / de criar.

      Vejo que você se sustenta (e tenta se definir) sob os pilastres da filosofia ocidental. Acho esse um caminho árduo e estéril. A única sugestão que me atrevo a dar, é lembrar-se da simples e ululante proposição: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. 😉

  4. Nina, se a natureza demonstra-se de diversas formas, repudiar (no sentido de não querer que continue com aquele aspecto para nossos olhos) algumas coisas e preferir outras, pode ser o que faz transformarmos algo. Escolher como transformar e se guiar a cada passo pelo que vamos sucessivamente criando não representa harmonia?Criação?Demonstração da arte do ser?Afimação da vida? Não vejo aqui a filosofia ocidental. Vejo liberdade de criação.

    Guiar-se por princípios de dois mundos?Penso, logo existo?Dualismo? Quando escrevi me baseei em Nietzsche, que tem forte influência oriental. =O

    • Não gostar de algo e repudiar algo são aspectos diferentes de um mesmo movimento: não aceitar esse algo.

      E ambos podem (e deveriam!) gerar movimento. Gerar criação. O que quero frizar é que são coisas diferentes e que, infelizmente, não necessarimente andam juntos.

      Então não dá para afirmar que desgostar algo é necessariamente energia criadora. Mas pode ser. Aqui entra a teoria do Ódio Criativo, ou Ódio Libertador, que eu particularmente adoro! Rsrsrs..

      Harmonia é sincronicidade. Eu posso conduzir meus passos em direção à mudança de forma harmônica ou desarmônica.

      Dualismo? ou “n”-ismo? Quantos mundos existem? Talvez vários! hehehe

      Agora gostei, a filosofia mais oriental, o caos, habitando seu coração! Nhoum!

      😀

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