Humana, demasiadamente Humana

Achei o comentário da leitora Leira Mendes tão pertinente que achei melhor respondê-la em formato de post, e compartilhar com todos vocês.

Leira me mandou as seguintes questões: Você põe em prática o que ensina / sugere para os outros? O que faz quando você mesma sabota suas metas e não consegue seu objetivo? Como psicologa você já fez terapia? Você tem medo de não conseguir alcançar suas metas e o que faz quando bate esse medo?

Antes de responder as questões, preciso contar um segredinho: a maioria dos meus textos refletem uma busca pessoal, uma reflexão interna, algo que estou aprendendo, ou algo que já passou da hora de eu aprender.

E o que essa busca pessoal tem a ver com Terapia Cognitiva, que é o assunto base do blog? Bem, o modelo da Terapia Cognitiva não é apenas uma teoria abstrata que eu leio para atender meus pacientes, como se fosse algo externo a mim. A perspectiva teórica cognitiva faz parte da minha filosofia de vida, em como eu acredito que todos nós funcionamos, e sendo coerente com essa ideia, eu aplico os mesmos princípios, da melhor forma que posso, a minha vida (princípios teóricos e práticos).

Então, respondendo a primeira pergunta, sim, eu tento, o máximo possível, praticar aquilo que escrevo. Exercer aquilo que ensino. E quando percebo que estou desviando do caminho, logo vem uma voz interna puxar a minha orelha.

Eu passei por uma fase pessoal de profundas mudanças paradigmáticas, e não é a toa que eu tirei um ano de férias do mundo acadêmico. Não dava mais para ministrar aulas se eu estava questionando o que ensinava. Você se torna hipócrita, e os alunos sentem que não há coerência com o que o professor fala e com quem ele é.

2) O que faz quando você mesma sabota suas metas e não consegue seu objetivo?

Eu paro e penso: porque diabos estou me sabotando? Então eu primeiro revejo se esse objetivo é realmente um objetivo verdadeiro e possível no atual estágio da minha vida. Se não é o que eu quero, me esforço para definir minhas reais metas. Se é o que eu quero, vou atrás de pensamentos automáticos negativos que estão me sabotando. Ou tento definir quais são os obstáculos e arranjar estratégias para vencê-los. E não faço isso sozinha. Peço ajuda das pessoas que estão à minha volta.

3) Como psicologa você já fez terapia?

Não como psicóloga, mas como Nina. Como psicóloga, eu busco supervisão, principalmente para os casos que tenho mais dificuldade. Como Nina, quando as alternativas descritas no item 2 não dão certo, eu busco terapia. Tenho uma terapeuta maravilhosa, que me ajudou muito no processo de reestruturação das minhas crenças centrais. Eu ainda tenho crenças disfuncionais (quem não as tem?), mas hoje consigo lidar muito melhor com isso.

E se me deparar novamente com situações e pensamentos negativos que estão minando minha energia, eu peço ajuda. Sem frescuras. Nós evoluímos em grupos, como animais sociais que somos.

4) Você tem medo de não conseguir alcançar suas metas e o que faz quando bate esse medo?

Medo…

Confesso que já tive mais medo. Quando ele batia, eu geralmente ligava para alguma amiga, comia brigadeiro ou ficava de papo na internet. Sim, eu tentava me esquivar dessa sensação desagradável. Mas logo vi que ela não passa.

Então comecei a prestar atenção nos meus pensamentos. E foi assim que eu aprendi a preencher diários de pensamentos automáticos, e, principalmente, a desafiar meus pensamentos. E, tadam! funciona!

Então comecei a observar os reais motivos que me impossibilitariam de alcançar alguma meta. E a maioria dos motivos estão relacionados a algo que está ao meu alcance. Geralmente eu não cumpro uma meta por preguiça, falta de organização do meu tempo ou falta de confiança na minha capacidade. Tudo bobagem. Tudo manejável.

E sobre aquilo que não tenho controle (por exemplo, quantos pacientes me ligarão marcando consulta, ou se uma universidade vai me contratar como professora), eu comecei a perceber que quando a gente visualiza exatamente o que a gente quer, as coisas acontecem. Confio plenamente nisso. Recebi inúmeras provas disso. E assim, minha confiança aumentou.

Sim, tenho altos e baixos, como todo ser humano. Mas eu observo. Eu estou de olho em mim mesma.

Sempre em busca para ser alguém melhor.

Anúncios

3 comentários sobre “Humana, demasiadamente Humana

  1. Estabelecer metas, controlar pensamentos negativos, reconhecer tais pensamentos e superar na medida do possivel…
    Tudo para se tornar uma pessoa melhor.
    Esse é meu sonho de consumo!
    Saber que alguém como você, legal pra cacete, sofre as mesmas angustias, ok .
    Agora vir aqui e se desnudar assim, só para pessoas realmente grandes!
    Seus textos são realmente fabulosos! Sempre me mostram que é possivel melhorar.
    Eu aplico viu? Ok…ok…ok. às vezes escorrego e a queda é dolorosa. Mas sempre me levanto mais fortalecida.
    E pensar nas coisas que me amedrontam, ainda me causa algum terror rsrsr, Mas espero chegar lá.
    Obrigada Nina.
    E um Ano Generoso pra voce.
    bjus
    Teté

  2. Karina disse:

    Legal, Nina. Lendo o que a Teté falou, e o título do post, que adoro, este é mais um desejo para 2011… que sejamos demasiadamente humanos: mais essência e menos artifícios. Mesmo a essência em suas nuances negativas. Que sejamos suficientemente humanos para reconhecê-las e crescer com isso.
    Que o ano venha maravilhosos para todos nós!
    =)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s