Sobre Edward e Jacob, Românticos e Cafajestes

Afinal, o que as mulheres querem? “Edwards” ou “Jacobs”? Românticos ou cafajestes?

Nas últimas semanas, talvez em função do filme Eclipse, da lua cheia ou do friozinho que assola parte do país e deixa os corações mais aquecidos e suspirantes, essa questão veio frequentemente à tona, tanto em conversas informais com amigos, quanto no consultório: o que as mulheres querem? Do que elas gostam mais? Grande parte desse post foi uma resposta a um e-mail recebido recentemente, levantando exatamente essa questão.

Geralmente a pergunta gira em torno de dois estereótipos: românticos ou cafajestes?

E para começar a tecer uma resposta, devo alertar que é preciso repensar a pergunta. Ela é falsa.

Para começar, a dicotomia entre românticos e cafajestes não necessariamente é real. Além disso, estamos falando sobre comportamento humano, e nessa esfera o mundo não é preto ou branco. É um espectro quase infinito de cores e nuances.

Tanto mulheres quanto homens gostam de ser bem tratados. Valorizados. Reconhecidos. Então, um jantar gostoso, palavras carinhosas ao pé do ouvido, poesias, enfim, as manifestações típicas do que chamam de “romantismo” são bem vindas.

Claro que cada um tem seu jeito próprio de expressar esse romantismo.  Alguns expressam menos, ou por não saber lidar muito bem com as próprias emoções, ou por timidez. Mas, uma vez o botão #inlove acionado, você escrevará cartas de amor ridículas (pois não seriam cartas de amor se não fossem ridículas)

Agora, expressar seus sentimentos é importante, fundamental, mas não suficiente para manter uma relação duradoura. Aqui entram os outros aspectos.

É importante, numa relação, que as duas individualidades estejam desenvolvidas e constantemente alimentadas. Uma relação deveria ser um eterno compartilhar de individualidades. Você é uma pessoa, tem seus gostos, suas preferências, seus valores, suas crenças, seus amigos. Seu companheiro, idem. E por quê estão juntos? Porque compartilhar isso, viver sua vida a dois é muito bom. É melhor do que viver só. Porque você se sente à vontade com seu parceiro, pois viver junto enriquece ambos. Você consegue viver sem, mas viver com é muito mais gostoso.

Numa relação é fundamental que você admire seu parceiro pelo o que ele é, e não pelo o que ele faz por e para você.
Vou exemplificar:  pergunto para uma menina porque ela gosta do João. E ela responde: porque ele me enche de presentes, de carinhos, ele me trata bem, etc etc…
Bem, eu ouvi as necessidades dela, mas não ouvi uma única palavra sobre João. Ou seja, se for João, Marcelo, Ricardo, Antônio, não interessa, desde que deem para ela atenção.  Não é do João que ela gosta. Talvez ela nem saiba quem é o João. Relacionamentos assim não costumam ir muito longe.

Admiração.

A admiração vem pelo o que a pessoa é. Demonstra. Faz, pensa, defende. E para admirar alguém, essa pessoa precisa ser alguém. E para ser alguém, você não pode viver em função dos outros. E aqui está o perigo do excesso de romantismo, ou talvez um estereótipo sobre românticos em excesso: a pessoa deixa de viver sua vida em função da vida da sua amada/ do seu amado.

Você trata seu parceiro como um rei, mas se coloca numa posição de vassalo. Se és um rei, não queres um vassalo, queres uma rainha. Queres alguém para andar ao seu lado. Nem atrás, nem na frente.

Tanto homens quanto mulheres gostam de “poder”, de “atitude”. De “personalidade”. Isso traz admiração, inclusive atração sexual. Mas aí falta o segundo eixo fundamental: segurança.

Cafajeste em excesso pode até causar interesse sexual em algumas mulheres, mas dificilmente transmitirá segurança. Romântico em excesso desperta segurança, mas dificilmente tesão.

Lembrem-se: estou falando em excesso. Um meio termo saudável? Um romântico refinado com atitude, sexualmente ativo, com uma vida própria além da amada. Um rei, que saberá tratar bem sua rainha. Um romântico meio cafa.

E aqui a gente entra em outro ponto importante da questão: como você está se desenvolvendo como pessoa? O que procura numa relação? É momento de falar sobre Edwards, Jacobs e Bellas.

Mas em um próximo post.

😉

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18 comentários sobre “Sobre Edward e Jacob, Românticos e Cafajestes

  1. Nina,
    Achei fabulosa a sua análise do tema.
    Me lembrei da pergunta feita por uma amiga em outro “pub” ( sabe que In Vino Veritas né?).
    Ele nos perguntou o que um homem deveria fazer para nos impressionar.
    Eu com sinceridade não sei responder até agora. Disse que ele deveria me surpreender, pois todas as vezes que uma pessoa me surpreendeu, ganhou minha admiração. Mas se é para me surpreender, como saber o que ele deve fazer?
    Mas aí vem o mais importante. Devolvi a pergunta a ela e ela nas várias tentativas de responder, falava sempre nos elementos de caráter que o homem deveria ter. Ele deveria ser generoso, ser bem humorado, etc….Mas o que ele deveria fazer pra impressioná-la não saiu mesmo.
    É isso . O objeto e a razão de meu afeto, deve ser também o de minha admiração.
    Bj

    • Essa é uma boa questão. Eu arriscaria dizer que o que mais nos impressiona, atualmente, são pessoas que assumem ser o que, de fato, são. E que estão bem com isso. Pessoas de atitude, com opinião própria (e um sorriso charmoso) despertam curiosidade e geralmente, nossa admiração.
      E surpreender-se depende diretamente das expectativas que você constrói. Está mais em você do que no outro. 😉

  2. Viky disse:

    Tenho que falar que também gostei…
    Que bom… Na análise fiquei, gostei, amei pessoas pelo que elas eram…
    Fiquei orgulhosa de mim…
    kkk
    Agora, vou fazer o que tenho que fazer… Ter paciência e resolver dois problemas grandes de ordem social e outro de saúde, aí vou cuidar dessa parte…

    • Que bom que vc gostou Viky! Seja bem vinda!

      Pois é, tem momentos que a gente precisa colocar a casa em ordem antes de chamar visita! 😉

  3. Eu sou uma mulher amável, inteligente, meiga, divertida. Venho de um lar estruturado, tenho um emprego efetivo, não bebo álcool, não fumo… e além de tudo sou bonita.
    No começo desse ano me apaixonei perdidamente. Estava tudo lindo, perfeito, ele parecia um príncipe… eu nunca tinha me encantando tanto por alguém! (ok, cheia de ilusões e vivendo no Fantástico Mundo de Bob)
    Até que ele fez comigo o que eu esperava de qualquer um. Menos dele! Aquele cafa-fofo de uma figa!
    E sabe, Nina… CANSEI.
    Cansei de ser uma mulher apenas desejada e não amada. Quero ser respeitada muito além das linhas que demarcam meu corpo.
    Cansei dos homens. Sério. Cansei dessa brincadeira de vem e vai. Eu não sei jogar! Citando CFA: o amor não deve ser para o meu bico.
    Cansei de sofrer! Parece que homens e sofrimento são duas coisas que caminham juntas.
    Eu sei que é loucura odiar todas as rosas porque uma me espetou. Eu não quero perder a esperança, mas está tão difícil acreditar! Parece que meu coração está gelado, sabe? Não sei se é só uma fase. Talvez esteja assim pq nunca passei por esse tipo de situação antes. Sei lá.
    Sonho em ter um relacionamento consistente com um homem seguro, centrado, inteligente (mas que não tenha a necessidade de mostrar isso), que saiba conversar sobre qualquer assunto, que goste de arte, que me faça rir, que seja romântico e cafa na medida certa… rs
    Eu realmente desejo me casar com um homem que me acrescente, que me ajude a me transformar numa pessoa melhor, que acredite que vale a pena estar ao meu lado e constituir comigo uma família!
    Mas talvez eu seja exigente demais e fique solteira pra sempre, né?
    Se o homem que almejo existe ou se tudo não passa de uma utopia, não sei… mas dizem que tudo o que buscamos, também nos busca e, se ficamos quietos, o que buscamos nos encontrará. Então vou ficar aqui bem quietinha na minha… sem muito MIMIMI! 😉

      • Anarcoplayba disse:

        Ah, pode apostar que merece… vamos lá:

        1) Você disse que quer “ter um relacionamento consistente com um homem seguro, centrado, inteligente (mas que não tenha a necessidade de mostrar isso), que saiba conversar sobre qualquer assunto, que goste de arte, que me faça rir, que seja romântico e cafa na medida certa”. Certo?

        Você querer ter um relacionamento com uma pessoa “perfeita” não é errado. Todo mundo quer. Mas o que me chamou a atenção foi você querer que ele “não tenha necessidade de mostrar isso”.

        E sabe por que eu achei estranho?

        Por causa disso: “Eu sou uma mulher amável, inteligente, meiga, divertida. Venho de um lar estruturado, tenho um emprego efetivo, não bebo álcool, não fumo… e além de tudo sou bonita.”

        Meio estranho alguém que tem necessidade de se mostrar (até mesmo no superlativo, né, Ana “Paulíssima”?) queira alguém que não queira se mostrar.

        2) Olha as qualidades que você cita como relevantes: Amável, inteligente, meiga, divertida, VINDA DE UM LAR ESTRUTURADO, COM EMPREGO EFETIVO, NÃO BEBE ALCOOL E NÃO FUMA, além de ser bonita.

        Isso é qualidade? Lar estruturado, empregio efetivo, não beber e não fumar?

        Olha, me desculpa, mas a última vez que eu vi, qualidade era traço de caráter. E caráter não depende de lar estruturado, emprego efetivo, beber ou fumar.

        Por sinal, se seus pais se separarem ou se você perder o emprego você vai ser uma pessoa pior?

        3) Você deseja “casar com um homem que me acrescente, que me ajude a me transformar numa pessoa melhor, que acredite que vale a pena estar ao meu lado e constituir comigo uma família”…

        Filhaaaa… olha, vou te falar uma coisa meio radical, mas isso é pior que mimimi: é me-me-me. Sabe a diferença? A língua. Eu tô falando em inglês: eu-eu-eu…

        ME ajudar, ME transformar, MEU lado, ME acrescente, COMIGO…

        Olha, você não precisa acreditar em mim se não quiser, mas é verdade: enquanto você pensar em si, o mundo vai pensar em si.

        TALVEZ se você parar de querer as coisas PRA VOCÊ e começar a se DOAR pro mundo, o mundo retribua o favor.

        Acredite: você não precisa virar um São Francisco: um pouquinho que você faça isso já faz uma PUTA diferença.

        (e antes que eu me esqueça: eu falei DOAR. Se DAR. Não TROCAR, não COMPRAR, não CHANTAGEAR. NÃO é “toma lá dá cá”. É “tó”.)

        4) Não vou nem entrar no mérito do “príncipe encantado”. Se você quer um nobre, seja nobre.

  4. Ana Paulíssima disse:

    1 – Bom, vc realmente NÃO me conhece pra me julgar deste jeito. Eu só destaquei as minhas “qualidades” para deixar claro que não tem nada de errado comigo… que eu sou uma boa namorada. Simplesmente.

    2 – O “Paulíssima” foi simplesmente uma idéia que tive enquanto estava cadastrando minha conta de e-mail e nenhum login que eu digitava estava disponível. Não foi algo planejado pq eu queria “me aparecer”… mas isso não vem ao caso.

    3 – O cara que eu procuro não tem a necessidade de ficar mostrando pra todos que ele está SEMPRE com a razão. A Nina perguntou o que a gente procura numa relação… e é isso que eu procuro, oras! Companheirismo, amizade, carinho, diversão, romance, tesão. O que VC procura?

    4 – “Acredite: você não precisa virar um São Francisco: um pouquinho que você faça isso já faz uma PUTA diferença.”
    É como eu já falei: vc não sabe nada a meu respeito, não conhece a minha história.
    Sim, eu acredito nisso de doação.
    Qdo estou num relacionamento eu me jogo, eu me entrego mesmo, dou o meu melhor… Acredito que se a gente fizer alguém feliz, alguém também fará por nós.
    Em algum momento eu disse o contrário?! O fato de querer alguém que acrescente na minha vida, é errado agora? Alguém com quem eu possa evoluir junto???
    Pq se for pra eu namorar um zé mané qualquer e fazer “tó” pra ele, aí já é burrice. 😛

    Anarco, eu não quero causar, ok?
    Eu só quero entender.

    • Anarcoplayba disse:

      1 e 4: Tudio o que eu li foi um “você não sabe do que está falando”, argumento que, com todo o respeito, não argumenta nada. Eu falei com base no que você mostrou. Se você é mais do que mostrou, que bom para você, mas querer dizer que o que demonstramos (especialmente o que demonstramos “sem querer”) não guarda relação com o que somos é muita inocência.

      4: “Quando estou num relacionamento, eu me dôo”. Então experimente se doar sempre. Num relacionamento e fora dele. Pro seu namorado, pra sua família e prum estranho na rua. Pra alguém que te oferece algo e ESPECIALMENTE pra quem não te oferece NADA.

      Perceba: se é condicional (quando, se, dependendo) não é absoluto. Não é sincero. Não é DOAÇÃO.

      Óbvio que agora você vai falar que “não era isso o que eu quis dizer”. Mas foi o que disse. Pense a respeito.

      3: Não, não foi o que você disse. Você disse que quer alguém com aquelas qualidades e que não quer se mostrar.

      Bom, eu diria que procurar alguém que não quer se mostrar denota na verdade uma insegurança de alguém que quer uma pessoa “só pra ela” e que não apareça muito, afinal, se aparecer, vai que aparece alguém pra “roubar” ela “de mim”.

      3A: O que EU procuro? Isso eu já respondi. Poder. Eu tenho tesão por pessoas com Poder.

      Por favor, note: não estou falando de Poder “você sabe de quem eu sou filho”, “você sabe com quem está falando” ou Poder “quanto é que eu compro”.

      Isso porque, é óbvio: se você é filha de alguém foda, eu ia dar em cima da sua mãe, se você tem dinheiro ou influência, tudo isso um dia acaba.

      Estou falando de Poder de Verdade. De gente que é capaz de mudar o mundo de acordo com a vontade. De gente que conversa sobre o que os outros querem porque PODE, de gente que ajuda os outros porque PODE, de gente que está em pleno e total CONTROLE da própria vida porque PODE.

      E disso advém as consequências legais: esse Poder está indissociavelmente ligado à inteligência e à sabedoria, o que são essenciais.

      E, em termos de aparência física, todos sabemos que isso é muuuuuuiiiiiiiito manejável, de acordo com o grau de Poder da pessoa.

      4) “Namorar um Zé Mané qualquer e falar “tó” pra ele”… de novo, princesinha. Tem que ser um cavaleiro em armadura brilhante que vai pular o fosso, enfrentar o dragão e tirar a espada da bigorna pra então ele “merecer” a buce… quer dizer, a princesa?

      Você não quer causar, você quer entender… certo…

      Então ENTENDA que o mundo NÃO vai te tratar bem. Querer que os outros te satisfaçam é rezar para chover quando se está com sede.

      NÃO RESOLVE.

      Se você quer se dar bem, pára de mimimi, de eu-eu-eu, de pra mim-pra mim-pra mim, e TOMA o que você QUER.

      Não é pedir. Não é torcer. Não é rezar.

      É CRIAR. FAZER. CAUSAR.

      CAUSE! Isso mesmo, inverta a ordem: venha aqui para CAUSAR, não pra perguntar!

      Se você tem que perguntar, você não está pronta para saber.

      Porque se você não cria na sua vida as coisas que você quer, você MERECE receber as que você não quer.

      E como você faz isso? E eu lá vou saber?

      Eu sou homem. A minha vida eu aprendi a levar. O que as mulheres precisam fazer eu só saberia se nascesse de novo, dessa vez mulher.

  5. Ana Paulíssima disse:

    Afffff… como vc é chato!
    Okay, honey, okay.
    A princesinha aqui disse exatamente o que quis dizer.
    Quando digo que gosto de caras inteligentes que não tenham a “necessidade” de mostrar isso para as pessoas… não tem nada a ver com insegurança! Tem a ver que odeio pessoas que ficam se exibindo o tempo todo com suas teorias e filosofias a respeito das coisas da vida. Isso NÃO é sexy. É broxante.
    Bom, já li alguns comentários seus em outros blogs e percebi que vc é assim mesmo… implicante.
    Portanto, vou levar tudo numa boa e nem vou ficar aqui discutindo contigo, cansando minha beleza (que não é pouca**), pq sei que não vamos chegar a lugar algum.
    Deve ter alguma mulher poderoooosa te esperando (com um chicote! rs) pra causarem juntos…
    Vai lá 😉

    P.S. **O termo usado entre parênteses foi de propósito, viu baby? Uma ironia. Não foi pra me aparecer…

    ~ FIM ~

  6. viky disse:

    Olha!!!
    Para o Anarco e para a Ana Paulíssima!!!
    Ainda bem que temos os dois…
    O amargo e o doce…
    O sim e o não…
    Em outras palavras, os dois lados da moeda.
    Por que me diverti e aprendi pacas com vocês dois…
    Acho que, como eu, nenhum dos dois deva levar para o lado pessoal, são idéias e opiniões que a mim, nesse exato momento, enriqueceram muito.
    Me vi na Ana Paulísssima e me vi no Anarco…
    Sou a mistura dos dois graças a deus (se é que ele existe) hahaha
    Em fim!
    Adorei!
    Quem dera ter mais comentários enriquecedores como o de vocês!
    Adorei!
    A diversidade é tudo!
    e

    UM VIVA AO DIFERENTE!!!

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