Para quê Terapia…….. Cognitiva?

A Terapia Cognitiva é um modelo sistemático e estruturado de terapia baseada em evidências. Ou seja, seu modelo teórico e prático é frequentemente testado através de metodologia científica e sua eficácia é comprovada. Embora a palavra “cura” seja um tanto quanto cara no âmbito da saúde mental (e só esse debate rende um post exclusivo), observa-se a remissão praticamente total dos sintomas que caracterizam os transtornos mentais. Ou seja, o paciente volta a ter certo controle sobre sua vida, aprende a estabilizar o seu humor e agir de forma mais pró-ativa.

A base de tudo isso está no modelo cognitivo da personalidade humana. De uma forma mais simplificada: toda e qualquer teoria psicólogica tem como objetivo explicar porquê as pessoas são como são, fazem o que fazem e sentem o que sentem. E, consequentemente, compreender porquê adoecem. Um modelo de personalidade deve dar conta dessas questões.

Geralmente acreditamos que as situações que vivenciamos causam as nossas emoções e essas acabam influenciando nossos comportamentos. Se digo: “fiquei triste porque ele não me ligou” ou “me irritei quando ela não me cumprimentou” estamos aplicando a regra descrita anteriormente: algo acontece e esse algo causa minha reação emocional.

O problema é que nem todas as pessoas reagem da mesma forma diante de uma mesma situação. Inclusive a mesma pessoa pode ter reações diferentes diante de situações semelhantes. O que acontece então?

A chave de tudo está no nosso pensamento. No significado que atribuímos às situações que vivenciamos. Quando seu namorado não liga, o que passa na sua cabeça? O que essa situação significa para você?

Para uma pessoa, pode significar que ele está a traindo. Para outra, que ele não gosta mais dela. Uma terceira ainda poderia acreditar que o namorado não a respeita mais, que o mínimo que ele deveria fazer era ligar na hora combinada. E uma última namorada poderia ainda pensar que a bateria do celular acabou e ele liga depois.

São os nossos pensamentos que modulam as nossas emoções. Estas, por sua vez acabam modulando nosso comportamento.

Penso, logo sinto.

Então, para quê a Terapia Cognitiva?

Para ensinar você a identificar os seus pensamentos e fazer com que reflita sobre eles. Aceite-os como hipóteses que podem ser confirmadas, ou não, e busque evidências. Para que você adquira maior flexibilidade mental (cognitiva) e consiga ver os dois (três, quatro) lados de uma mesma moeda. Essa são habilidades perfeitamente treináveis, e esse treino costuma ser muito prazeroso.

A Terapia Cognitiva serve como um aprendizado de reatribuição de significados. É a versatilidade do próprio pensamento sobre si, sobre os outros e sobre o mundo.

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13 comentários sobre “Para quê Terapia…….. Cognitiva?

  1. Sandra disse:

    “Esse treino costuma ser muito prazeroso” [penúltimo parágrafo] hmmm.. Acho que encontrei um desacordo (rs).

    Achei ótimo: breve, acessível, claro e completo.

    E a figura…. está espetacular! Expressa exatamente a sesanção que se tem como cliente. O método, as técnicas utilizadas pela TC, fazem com que você visualize, de fato, essa imagem durante as sessões.

    Parabéns pela iniciativa e pelo produto!

    • Sandra, e quando você percebe que sua confusão começa a ser ordenada em um carretel coerente, não dá um alívio?
      Deparar-se com a confusão dói, mas saber que podemos resolve-la, passo a passo, geralmente é reconfortante. 😉

  2. R. M. Gonçalves disse:

    Engraçado como essas “reações” — quando diante de situações similares —, também mudam através do tempo, ou conforme a outra pessoa envolvida.

    Num breve exemplo, quando uma ex-namorada não ligava ou sumia por um período de tempo atípico, eu ficava imaginando descuido, esquecimento e até traição. Entretanto, com a namorada ulterior, na mesma situação supracitada, eu não imaginava coisas negativas, pelo contrário, pensava que era algo normal, necessário e que em hipótese alguma seria um possível adultério.

    Observo, aí, duas nuances:
    1 – Eu amadureci e não fico mais me martirizando por pensamentos infundados, por meras suposições;
    2 – A segunda namorada me transmitia mais credibilidade, mais confiança, devido a sua seriedade e ao respeito dispensado a mim.

    Seria isso mesmo, Nina? Teria alguma explicação complementar para o caso? Ou é algo totalmente diferente?

  3. Oi Robson!
    Eu complementaria suas perguntas: ou será que vc agora, mais amadurecido, acaba por interpretar as situações de uma forma diferente?
    Seriedade e respeito, credibilidade e confiança são conceitos muito particulares, e as pessoas divergem na forma de apresentar (ou não) tais comportamentos. Mas grande parte da insegurança ainda vem da forma como vc está processando as informações. 😉

  4. Sirlei Neris Hoffmann
    Olá Nina!

    Recebi ainda pouco o endereço de seu blog, li as matérias, e, identifiquei-me de imediato.

    Sem dúvida nenhuma a terapia serve
    “como um aprendizado de reatribuição de significados”, dessa forma possibilitamos-nos reordenar pensamentos que por ventura esteja fora de foco.
    Sim “É a versatilidade do próprio pensamento sobre si, sobre os outros e sobre o mundo”.

    Parabéns querida pela iniciativa!
    Estávamos precisando de um meio, e o seu blog será nosso mediador.

  5. Adriana Thalyta de Jesus Fernandes disse:

    Olá Nina!
    Sou aluna do ITC. A aula que você deu hoje, foi ótima!
    O blog está lindo… Parabéns!!!!

  6. melissa disse:

    “Para uma pessoa, pode significar que ele está a traindo. Para outra, que ele não gosta mais dela. Uma terceira ainda poderia acreditar que o namorado não a respeita mais, que o mínimo que ele deveria fazer era ligar na hora combinada. E uma última namorada poderia ainda pensar que a bateria do celular acabou e ele liga depoi”

    Pois é, devemos imaginar várias possibilidades para uma determinada situação. Isso é flexibilidade cognitiva.

    Ok, mas não existe apenas UMA verdade? Por exemplo: Ele não ligou porque estava sem bateria, não porque me traia. Então como chego nessa verdade. Eu consigo imaginar várias coisas para uma situação, mas fico enlouquecida pela “busca” pela verdade. E sempre tenho a tendência de imaginar como “verdade” o pior. ” ele não gosta de mim, ele deve me achar chata, está me evitando”.

    Abraço, Melissa

    • A ideia de uma única verdade absoluta para todas as situações é muito delicada, e depende muito da perspectiva filosófica que você adota.

      De modo geral, somos seres criadores de significados. Qualquer informação que chega até o nosso cérebro passa por centros da linguagem e da memória, e quanto atigem a nossa consciência (ou seja, quando nos tornamos conscientes do fato), essas informações já estão com significados embutidos.

      Esse é o funcionamento do nosso cérebro, e tudo isso ocorre de forma involuntária e automática. Nossa ação limita-se a conhecer, observar e questionar o resultado de todo esse processo cognitivo, e quem sabe assim alterando essas estruturas inconscientes a ponto delas produzirem outros tipos de significados para as situações cotidianas. No seu caso, por exemplo, nāo usar um mesmo padrão “rígido” pessimista/negativo.

      Ainda no seu exemplo: se para uma pessoa o fato da bateria do celular ter acabado pode significar um simples acaso, uma situação cotidiana comum, para uma outra pessoa poderia significar um descaso, ou até mesmo rejeição, “pois se ele me amasse de verdade jamais deixaria o celular ficar sem bateria… deveria ter levado um carregador”.

      E agora?

      Em terapia cognitiva é complicado afirmar a existencia de verdades absolutas. Trabalhamos mais sob a ótica de pensamentos mais ou menos funcionais, de acordo com evidências contextualizadas e com suas metas.

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